Tecnologia Social no aproveitamento total do coco babaçu

Abaixo segue interessante matéria publicada no site Rede de Tecnologia Social (RTS). Nela é apresentada a descrição da máquina de quebra de coco babaçu que publicamos anteriormente e que na nossa opinião é a mais eficiente já construída até este momento. As razões para isso são simples: Enquanto parte do movimento de quebradeiras de coco tem forte resistência ao desenvolvimento e implantação de máquinas de quebra (muito mais, eu acredito, devido à assessoria de profissionais desconhecedores dessa importância [Em breve postaremos um artigo sobre isso]) e que, portanto, não investem recursos e tempo nesse sentido, muitos pesquisadores, às vezes até com boas intenções, desenvolvem máquinas e equipamentos sem o devido conhecimento da dinâmica dos locais de extração, coleta, transporte e quebra do coco babaçu (citaremos por enquanto um bem escrito texto que, apesar de sua importância e criatividade, aparenta esse desconhecimento [brevemente também postaremos um texto sobre máquinas de quebra do coco babaçu]).

Aproveitamento total do babaçu

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by Bob Dobalina last modified August 16, 2001 at 23:35:59 — expired Object locked

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No Brasil, cerca de 400 mil quebradeiras de coco vivem do extrativismo do babaçu. De olho na agregação de valor, tecnologias simples e de fácil manuseio já permitem dobrar a renda de 200 famílias com o aproveitamento total do coco da palmeira

Foto:  Fundação Mussambêbabacu1.jpg
Babaçu: agora, a mais rica palmeira utilizada na indústria extrativista brasileira pode ser melhor aproveitada

Considerada a mais rica palmeira utilizada na indústria extrativista brasileira, o babaçu serve de fonte de renda para pelo menos 400 mil quebradeiras de coco no Brasil, segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente. Da folha da palmeira, que pode chegar a 20 metros de altura, pode se fazer telhado para as casas e artesanato; do caule, adubo e estrutura de construções; da casca do coco, carvão para alimentar as caldeiras da indústria; do mesocarpo, a multimistura usada na nutrição infantil; da amêndoa pode obter-se ainda o óleo, empregado na alimentação e na produção de combustível, lubrificante e até mesmo sabão.

De olho neste potencial, ainda pouco aproveitado pelas quebradeiras de coco espalhadas pelos 18,5 milhões de hectares de babaçuais na faixa de transição para a floresta amazônica, principalmente no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a Fundação Mussambê desenvolveu a Tecnologia Social “Aproveitamento Total do Coco Babaçu”. Com maquinário simples e de fácil manuseio, a iniciativa resultou no desenvolvimento da Máquina Despeliculadora para facilitar a retirada da amêndoa e o aproveitamento de dois subprodutos: o mesocarpo (rico em amido, cálcio, fósforo e ferro) e o endocarpo (rico em fibras). Também foram criadas a Máquina Rotativa de Corte de Coco Babaçu e a Prensa Hidráulica para extração do óleo da amêndoa, com capacidade de 150 litros de óleo.

“Até então as tecnologias disponíveis para a quebra não iam muito além do machado. O mais importante é que estas novas máquinas não eliminam empregos. Pelo contrário, geram novos postos de trabalho diante do aproveitamento de todos os sub-produtos”, diz o presidente da Fundação Mussambê, Daniel Walker.

A idéia original do engenheiro Gilberto Batista, criador das tecnologias, era facilitar o corte do coco, antes feito pelas quebradeiras com um machado e um cassetete de madeira. Com a máquina, a produção passa de mil cocos por dia para 30 mil. As máquinas já beneficiam 200 trabalhadoras no Ceará e no Maranhão. Este ano, começam a ser implementadas no Maranhão, em parceria com o governo do estado, mais 160 agroindústrias, envolvendo, cada uma, 30 famílias no processo.

O que está em jogo, segundo Walker, é uma alteração profunda no aproveitamento do babaçu. No processo tradicional de extração do óleo – de fundo de quintal – o coco ainda é quebrado na pedra, basicamente por mulheres e crianças. Cada trabalhadora extrai de um milheiro de cocos cerca de 13 kg de amêndoa por dia, com grande desperdício e fartas histórias de acidentes de trabalho. Na etapa seguinte, as amêndoas são trituradas em um pilão, num processo lento e exaustivo. Neste sistema, 52 quilos de amêndoas rendem aproximadamente 15 litros de óleo e o que sobra é vendido como combustível, a preço baixo, para as indústrias locais de cimento, cerâmicas e padarias por meio de atravessadores.

Foto: Michelle Lopes
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Fundação Mussambê explica aproveitamento do coco babaçu na Mostra de Tecnologias Sustentáveis do Instituto Ethos, em São Paulo: ampliação de parcerias

Com a despeliculadeira e o extrator manual de óleo, uma prensa hidráulica chega a extrair até 100 litros em oito horas de trabalho, ao passo que no processo convencional a produção atinge cerca de 20 litros de óleo em uma semana. Além de aumentar a produção, a máquina permite também o aproveitamento do resíduo do processo de prensagem, que vira uma torta rica em proteínas para ração animal, principalmente de ovinos, caprinos e suínos. O custo do kit com todo o maquinário, segundo Gilberto, está hoje em torno de R$ 25 mil, sendo que o investimento pode ser recuperado em até três meses dependendo da produção. “Com as máquinas é possível trabalhar com 30 milheiros por dia. Para cada um, são R$ 60 de faturamento e R$ 20 de gasto, o que dá cerca de R$ 1.200 por dia”, diz.

A Associação dos Moradores dos Sítios Correntinho, Cruzinha, Saguim, Carrapicho e Coruja, no município de Barbalha (CE) foi pioneira na adoção dessa tecnologia, em outubro de 2003. Nesta época, cada família não conseguia fazer mais de R$ 200 por mês. Com a adoção das novas práticas, o valor subiu para R$ 450. “Mas esse valor ainda é pouco e foi prejudicado pelo excesso de chuvas este ano. Nossa projeção é de uma renda mensal segura em torno de R$ 600”, diz Walker. O quilo da amêndoa, que era vendido por R$ 0,80, hoje não é vendido por menos que R$ 1,30. “Mas a vantagem não é só o aumento do preço da amêndoa. Os subprodutos já são todos aproveitados e vendidos”, diz Walker.

A experiência contemplou, inicialmente, a instalação da prensa manual para extração de óleo de babaçu, com capacidade de 50 litros de óleo/dia. Em 2005, foi implantada uma nova unidade de extração de óleos vegetais, no Distrito Campo Alegre, município de Crato. Nessa etapa, foram viabilizados novos incrementos à tecnologia anterior, que permitem, além de maior aproveitamento do babaçu, uma produtividade equivalente a 100%. “Queremos agora criar entrepostos para ganhar escala e força na negociação, eliminando os atravessadores. Este será certamente um dos nossos novos desafios”, diz Walker.

Babaçu Livre

No ano passado, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprovou o Projeto de Lei 231/2007, que passará a se chamar Lei do Babaçu Livre. O projeto, de autoria do deputado Domingos Dutra (PT/MA), cria regras para a exploração da espécie e proíbe a derrubada de palmeiras de babaçu nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Goiás e Mato Grosso, com exceção de áreas destinadas a obras ou serviços de utilidade pública ou de interesse social. Outra exceção, prevista no texto, é quando as derrubadas tenham como objetivo aumentar a reprodução da palmeira ou facilitar a produção e a coleta, mas só poderão ser feitas após relatório de impacto ambiental e mediante a autorização do poder competente.

Para vigorar, o texto ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Câmara. Em seguida, a lei terá de ser votada e aprovada no Senado. Só depois, então, é que será encaminhada à sanção presidencial. A competência para execução e a fiscalização da lei será do Ministério do Meio Ambiente.

Entre as palmeiras utilizadas na indústria extrativista
brasileira, o babaçu é considerado o mais rico do ponto
de vista econômico, pelo aproveitamento de todos os seus
componentes. Cientificamente chamado deOrbignya martiana,
o babaçu é de grande valor industrial e comercial,encontrado
em extensas formações naturais, principalmente no Nordeste.
A palmeira chega a alcançar 20 metros de altura. O broto
fornece palmito de boa qualidade. Quando maduro, a parte
externa do fruto é comestível. Do óleo se produz margarina,
sabão e cosméticos. O caule é empregado em construções
rurais e as folhas na fabricação doméstica de cestos.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

6 Comentários

  1. Gostei muito da reportagem a respeito do babaçu. Uma riqueza natural e altamente aproveitável, fiquei muito interressada nas máquinas que beneficiam o coco e gostaria de saber mais a respeito deste trabalho. Como faço para obter informações sobre os custos, manuseios e se existe algum curso sobre a produção desta materia prima natural.
    Atenciosamente,
    Angela de Queiroz.

  2. Gostei muito da materia, nunca pensei que o coco babaçu fosse tão importante para as quebradeiras de coco. E com a chegada maquina é que vai se tornar mais lucrativo.

  3. Daniel
    http://www.mussambe.org.br | daniel@mussambe.org.br | 201.47.123.173

    Quem precisar de maiores informações sobre a tecnologia social de aproveitamento total do coco babaçu pode enviar e-mail para: tecnologiasocial@mussambe.org.br. Nosso telefone: (8 8) 571-6018 – Juazeiro do Norte-CE.

    De – Máquina de quebrar coco babaçu, 2008/08/05 at 4:02 PM

  4. A Máquina é bem vinda, pois pode melhorar a renda das famílias pobres da Região e a Política adotada serve para preservar o Meio-Ambiente e Biodiversidade dessa importante Região de Transição.

    A Sociedade Brasileira, em especial o goveno local e seus parlamenteres podem / devem empenhar esforços naimplementação de Cooperativas Éticas de Pequenos Produtores , onde inclui-se Agricultura Familiar.

    Através dessas Cooperativas tornar-se possível estabelecer Programas de Financiamento, através do qual se torna possível o Pequeno Produtor comprar a sua Máquinas. e conseguir aumentar a sua renda e pagar o financiamento.

    Além disso a Cooperativa precisa ser preparada para orientar e desenvolver capacidade dos seus Cooperados na utilização dessas Máquinas, assim como na comercialização Ética dos seus Produtos e Subprodutos.

    A Cooperativa precisa de líderes que busque contínua agregação de valores nos seus produtos e aprimoramentos da Política de Preservação do Meio Ambiente e Biodiversidade.

    Para outras Regiãoes os Líderes das Cooperativas podem implementar produção de outros Produtos Vegetais, onde devem, também, buscar contínua agregação de valores nos seus produtos do Babaçu, como nos outros Produtos BVegetais, e aprimoramentos da Política de Preservação do Meio Ambiente e Biodiversidade.

    A Pachira aquatica é uma Oleoginos Perene que pode ser empregada que poderá servir para produzir Óleo Vegetal e Torna / Farelo, mas requer pesquisas para definir varidades produtivas e altura que facilite a colheita dos seus frutos / semenetes.

    MISSAO TANIZAKI
    Fiscal Federal Agropecuário
    Bacharel em Química
    missao.tanizaki@agricultura.gov.br
    Esplanada dos Ministérios, Bloco “D”, Sala 346-B, Brasíla/DF

    TUDO POR UM BRASIL / MUNDO MELHOR

  5. existe no resto do mundo, paises com grande produção de coco, embora não tenham aida metodologias para o reaprpveitamento de derivados de rico produto. com as vossas experiencias pessoas curiosdas como eu podem experimentar ou mesmo devulgar estas tecnologias, sobre tudo como forma de proteger o meio ambiente

    muito obrigado
    batista -* Maputo -Mozambique

  6. muito bom ,saber que existe pessoas . preocupada em ajudar a desenvolver; a parte mais pobre do nordeste . como faço para saber mais a respeito ddestes projetos.e como adquiri-lo,pretendo voltar para minha terra natal . e montar um negocio neste sentido.


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